A HISTÓRIA DOS SURDOS E A LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS: UMA VISÃO DO PORQUÊ DA FALTA DE SINAIS CIENTÍFICO-TECNOLÓGICOS

INTRODUÇÃO:
A história dos surdos, principalmente o enfoque que rege sua educação, aponta-se como uma possível causa de uma problemática encontrada pela equipe do projeto “Sinalizando a Física” (www.ufmt.br/sinop/sinaisdafisica) acerca dos sinais e sua conceituação científico-tecnológico necessários ao ensino da Física e das Ciências Naturais. Desta forma, propomos discutir alguns pontos da história dos surdos problematizando determinados fatores que corroboraram para o desenvolvimento de uma língua que atualmente se depara com uma barreira no Ensino de Ciências, a qual acreditamos dificultar o diálogo científico entre os estudantes surdos, professores, colegas e intérpretes em sala de aula. Ainda, pretendemos com este trabalho sensibilizar e instigar pesquisas na área de Ensino de Ciências através da Libras (Língua Brasileira de Sinais) para estudantes surdos/audição difícil e estabelecer laços com pesquisadores e instituições.

METODOLOGIA:
Quando da implantação do projeto Sinalizando a Física, em 2008, e das primeiras pesquisas, realizadas nos dicionários presentes nos portais do Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), Feneis (Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos), Acessibilidade Brasil e no Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira, de Capovilla e Raphael (2001), deparamo-nos com a ausência expressiva de sinais na Libras para o ensino das Ciências Naturais, situação inesperada em relação à proposta inicial do projeto. Este fato levou a equipe a produzir vocabulários na área da Física, envolvendo inicialmente a Mecânica e posteriormente, a Termodinâmica, a Óptica, a Eletricidade e o Magnetismo. O processo de elaboração dos vocabulários propiciou questionamentos sobre a origem da falta de sinais para conceitos como: Gravidade, Vetor, Grandeza, Energia, Elasticidade, Densidade, Volume, Área, dentre muitos outros e da possibilidade deles facilitarem a aprendizagem, caso existissem. Buscamos a partir destes questionamentos e por meio da revisão da literatura, principalmente acerca da história dos surdos e de sua educação, refletir e estabelecer um possível paralelo entre a história educacional da comunidade surda e a falta dos sinais científico-tecnológicos na Libras.

RESULTADOS:
A inserção da Língua de Sinais e da educação de surdos no Brasil se inicia com a vinda do francês Édouard Houet, em 1855, e desta época até a atual os estudantes surdos passaram por diversos processos de ensino e aprendizagem elaborados e impostos pelos ouvintes, com momentos que expressam o interesse em tornar os surdos ouvintes. Um exemplo desta visão foi o Congresso Internacional de Milão, realizado em 1880, que proibiu o uso da língua de sinais, exigindo que o surdos apenas utilizassem a leitura labial e a linguagem oralizada. Muitos anos depois, no início do século XXI, no Brasil, elabora-se a lei nº 10.436 e o decreto nº 5.626, instaurado três anos depois, com o intuito de reconhecer a Libras como língua oficial e como meio dos surdos estabelecerem representações de mundo. Contudo, dado que o desenvolvimento da língua de sinais não pode ocorrer, os sinais técnico-científicos não foram priorizados, sendo a situação sócio-econômica brasileira outro fator a corroborar com esta problemática, pois a Ciência não foi devidamente valorizada até há pouco tempo. Assim, a real inclusão dos surdos na educação e na sociedade, como cidadãos conscientes da relação ciência-tecnologia-sociedade, ficou e fica prejudicada.

CONCLUSÃO:
A partir das discussões anteriores, podemos concluir que uma possível causa da falta de sinais na Libras tal como se encontra hoje está intimamente relacionada ao processo histórico da educação de surdos, principalmente àquele que reprime o uso da Libras para ensino e aprendizagem na escola. Um exemplo desta defasagem de sinais está no campo da Física, no qual os integrantes do projeto Sinalizando a Física têm discutido que para conceitos como aceleração, vetor, grandeza, e outros termos científico-tecnológicos, ainda não haviam sido elaborados sinais. Tal ausência tem implicações devastadoras no processo de ensino e aprendizagem de estudantes surdos, em especial aqueles inseridos no ensino médio e que pretendem seguir seus estudos no ensino superior. Ainda, a não compreensão de conceitos de Ciência e Tecnologia não permitem aos estudantes surdos, ou aos demais, o desenvolvimento pleno da cidadania, pois não permite a discussão, baseada também em fatos e não apenas em crenças, dos acontecimentos e rumos da sociedade brasileira.
Instituição de Fomento: UFMT/VIC e FAPEMAT.
Palavras-chave: História dos Surdos, Língua Brasileira de Sinais, Ensino de Ciências.

Everton Botan 1
Taimara Passero 1
Fabiano César Cardoso 2
1. Discente – Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário de Sinop
2. Docente – Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Universitário de Sinop

62ª Reunião Anual da SBPC

http://www.sbpcnet.org.br/livro/62ra/resumos/resumos/2100.htm

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