FORMAÇÃO DE PROFESSORES: LETRAMENTOS PARA O ALUNO SURDO A PARTIR DE ESTRATÉGIAS DE ENSINO DESENVOLVIDAS EM UM CURSO DE CAPACITAÇÃO NO CAS-PI

Resumo: O presente artigo tem como objetivo geral identificar o(s) processo(s) de letramento(s) relacionado(s) a estratégias de ensino de leitura e escrita para serem desenvolvidas com alunos surdos. E como objetivos específicos: abordar a(s) temática(s) discutida(s) e apresentada(s) durante o curso de capacitação docente; verificar com o público docente participante desse curso, seus interesses e expectativas reais quanto ao processo e formação para com o público surdo e, finalmente, perceber se os participantes possuem conhecimentos e noções básicas de letramento especificamente para atuar com o público surdo. Para tal, fundamentamo-nos em teóricos como Street (2014) e Soares (2002), que abordam as principais questões e noções de práticas de letramentos; Brito (2007), que apresenta a leitura como enfoque do processo ensino-aprendizagem; De Karnopp (2005), com algumas experiências e noções de letramentos para surdos. A relevância em investigar essa temática justifica-se pela importância em discutir e abordar essa temática tendo em vista a expansão, o desenvolvimento e até mesmo o grande número de interessados em estudar e aprender Libras nos últimos anos. E, como fundamentos metodológicos, optamos por fazer uma pesquisa de campo com enfoque na observação das aulas e aplicação de questionários no sentido de perceber como as estratégias de letramentos a surdos eram apresentadas e discutidas no Centro de Assistência a Surdos, localizado no município de Teresina-PI. Assim, verificamos que, a respeito das práticas desenvolvidas e discutidas durante o curso, o processo de leitura e escrita desenvolvido por meio de gêneros textuais pode e deve ser trabalhado sob todas as formas e possibilidades em todas as disciplinas, pois não somente possibilita um ensino real, como também eficaz e primordial para o aprendizado desses alunos. Palavras-chave: Surdo. Estratégias de ensino. Formação docente.

http://www.univates.br/revistas/index.php/signos/article/viewFile/1471/808

1 INTRODUÇÃO Sabe-se que a grande maioria dos profissionais da educação desconhece os estudos a respeito das línguas de sinais, com destaque no Brasil para a Libras, tanto em seus aspectos linguísticos quanto sociais, culturais e políticos. Desse modo, o presente artigo teve como objetivo geral identificar o(s) processo(s) de letramento(s) relacionado(s) a estratégias de ensino de leitura e escrita para serem desenvolvidas com alunos surdos. E como objetivos específicos: abordar a(s) temática(s) discutida(s) e apresentada(s) durante o curso de capacitação docente; verificar com o público docente participante desse curso seus interesses e expectativas reais quanto ao processo e formação para com o público surdo e, finalmente, perceber se os participantes possuem conhecimentos e noções básicas de letramento especificamente para atuar com o público surdo. A importância em investigar essa temática justifica-se pelo fato de a pesquisadora estudar e atuar na área da Libras. Além disso, é de fundamental importância abordar essa temática tendo em vista a expansão, o desenvolvimento e até mesmo o grande número de interessados em estudar e aprender Libras nos últimos anos. Outro ponto relevante é que, conforme apontam resultados de pesquisas, os profissionais que atuam com alunos surdos, em sua grande maioria, não conseguem se comunicar de forma eficiente com seus alunos. Visto que, mesmo havendo um grande interesse e ou mesmo o reconhecimento da Libras como L1 para o Surdo, ela (a Libras) ainda permanece, em muitos espaços escolares, em desvantagem se comparado à Língua Portuguesa, pois muitas das vezes a Libras serve apenas como recurso para facilitar o aprendizado da L2 pelo Surdo no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita. Por isso, devemos tomar cuidado para que a Libras não seja vista apenas como mais uma ferramenta para o ensino dessa língua, tida como majoritária, para os surdos. Considera-se, especificamente, que suas necessidades linguísticas estão resguardadas na própria Lei 10.436/2002, na qual consta que o surdo deverá obrigatoriamente apenas aprender a língua portuguesa na perspectiva da escrita. Desse modo, o presente artigo pauta-se em autores como: Street (2014) e Soares (2002), que abordam as principais questões e noções de práticas de letramentos; Brito (2007), que apresenta a leitura como enfoque do processo ensino-aprendizagem; De Karnopp (2005), com algumas experiências e noções de letramentos para surdos, além de questões como a inclusão e a inserção do indivíduo surdo no processo de escolarização, considerados também importantes nessa temática. Assim, o presente artigo divide-se em três partes. Na primeira parte são apresentadas as questões e principais fundamentações teóricas a respeito das principais noções e níveis de letramentos. Na segunda, temos os aspectos metodológicos que direcionam o alcance dos objetivos pretendidos. E, finalmente, a análise dos dados, conforme especificado na parte metodológica.

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2 FUNDAMENTOS TEÓRICOS 2.1 Letramentos Os estudos a respeito do letramento têm ganhado notoriedade porque não consideram apenas a escrita, mas sim as diversas situações em que o indivíduo está inserido na sociedade, nos quais interagem nas mais diversas possibilidades de comunicação. Assim, para Street (2014), não existe apenas a noção de Letramento, no singular, e sim Letramentos, nos quais se institucionaliza a noção de alfabetização escolar. Desse modo, esse autor separa a noção de aquisição de linguagem da de “Letramentos Sociais”, pois essas práticas tanto atuam no âmbito escolar como fora dela e são indispensáveis no dia a dia da sociedade como um todo. Um ponto que merece destaque é o que discute Tfouni (2006) a respeito do letramento. Segundo ela, os estudos nessa área não devem se restringir somente ao domínio e à aquisição da escrita, ou seja, o processo de alfabetização em si. Pelo contrário, há a necessidade de investigar as consequências dessa ausência da escrita nos indivíduos que permeiam toda a sociedade, procurando perceber como eles atuam e se estruturam socialmente. Enfim, até que ponto sua ausência e/ou presença são fatores importantes nas transformações sociais, culturais e psicológicas das pessoas no mundo?

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